Foto 1 - Área reabilitada na Mineração Paragominas que abriga a trilha ecológica, um espaço dedicado à educação ambiental
Quando a Mineração Regenera
Desde o início de suas operações, em 2007, a Mineração Paragominas, da Hydro, adotou um modelo que integra a exploração da bauxita — principal matéria-prima para a produção do alumínio — com a reabilitação ambiental das áreas mineradas. Apenas dois anos após o início das atividades, a empresa iniciou os primeiros trabalhos de recuperação, seguindo um sistema de lavra em tiras, no qual a mineração avança por faixas sequenciais.
Foto 2 - Reabilitação de área na Mineração Paragominas utilizando a técnica de nucleação
Essa metodologia permite que, assim que uma área conclui seu ciclo de extração, ela seja imediatamente preparada para o processo de reabilitação, enquanto novas frentes de lavra são abertas. O resultado é uma recuperação progressiva da paisagem, reduzindo o tempo entre a mineração e o retorno da vegetação nativa.
Os números refletem a dimensão desse trabalho. Entre 2009 e 2025, foram reabilitados cerca de 3.759 hectares de áreas mineradas por meio do Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD). Além disso, outros 891 hectares de áreas anteriormente degradadas por atividades como agricultura, pecuária e exploração madeireira passaram por processos de recomposição ambiental no âmbito do Programa de Recomposição de Áreas Degradadas ou Alteradas (PRADA).
Somente em 2025, foram plantadas mais de 50 mil mudas, distribuídas em 143 espécies pertencentes a 46 famílias botânicas, demonstrando a preocupação em promover uma restauração ambiental diversificada e resiliente.
A recuperação das áreas combina diferentes técnicas ecológicas, como o plantio de mudas nativas, a indução da regeneração natural e a nucleação, estratégia que utiliza elementos da própria floresta, como sementes, galhos e o solo superficial (topsoil), para acelerar os processos naturais de regeneração.
A inovação também desempenha um papel importante. O uso de drones para a dispersão aérea de sementes permite ampliar a escala da restauração em locais de difícil acesso, enquanto imagens de satélite e mapeamentos de alta resolução auxiliam no monitoramento da evolução das áreas transformadas.
Essas iniciativas fazem parte da meta da Hydro de reabilitar, em até dois anos, cada hectare disponível após a lavra, descontadas as áreas destinadas à infraestrutura operacional.
Desde 2015, a fauna das áreas em recuperação é monitorada continuamente. Até 2025, já foram registrados mais de 24 mil indivíduos, pertencentes a 449 espécies, evidenciando que esses ambientes voltaram a oferecer alimento, abrigo e condições adequadas para diversas formas de vida.
O monitoramento é realizado em parceria com instituições de pesquisa e universidades, utilizando trabalho de campo, imagens de satélite e ferramentas de inteligência artificial para acompanhar a evolução da vegetação, da fauna e da qualidade ambiental das áreas restauradas.
Benefícios que ultrapassam os limites da mina
A transformação das áreas mineradas também gera impactos positivos para o município de Paragominas, reconhecido nacionalmente por sua trajetória de desenvolvimento associada à sustentabilidade.
Além da recuperação das áreas mineradas, a empresa investe em soluções de economia circular, como a tecnologia Tailings Dry Backfill, que permite o retorno do rejeito seco às cavas da mineração. Essa inovação já disponibilizou aproximadamente 800 hectares para novos projetos de reabilitação e reflorestamento.
Outra iniciativa consiste no aproveitamento do rejeito da bauxita como insumo para a produção de materiais da construção civil, reduzindo significativamente a necessidade de cimento e, consequentemente, as emissões de carbono associadas à fabricação do concreto.
Desenvolvimento social e fortalecimento da Amazônia
A recuperação ambiental também impulsiona a economia local. A empresa desenvolve um programa para fortalecer viveiros de mudas nativas ao longo do mineroduto que liga Paragominas à refinaria de Alunorte, em Barcarena.
O projeto oferece capacitação técnica, apoio à regularização dos viveiros e compra das mudas produzidas por fornecedores locais, promovendo geração de renda, fortalecimento da cadeia produtiva e maior disponibilidade de espécies nativas para projetos de restauração florestal.
Paralelamente, ações de educação ambiental aproximam a comunidade das iniciativas de conservação. Em 2025, mais de 3.100 pessoas participaram de atividades educativas sobre mineração, biodiversidade, recursos hídricos, resíduos sólidos e sustentabilidade.
Um dos destaques é a trilha ecológica construída em uma das primeiras áreas reabilitadas pela empresa. O espaço funciona como uma sala de aula ao ar livre, permitindo que estudantes, pesquisadores, representantes de órgãos ambientais e visitantes conheçam de perto as técnicas utilizadas na recuperação florestal e observem os resultados alcançados ao longo dos anos.
A experiência de Paragominas demonstra que a mineração contemporânea pode deixar um legado que vai além da produção mineral. Quando planejamento, ciência, tecnologia e compromisso ambiental caminham juntos, áreas antes utilizadas para a extração mineral podem se transformar novamente em ambientes capazes de sustentar a biodiversidade, gerar conhecimento e contribuir para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.
Informações:
Silvia Farias, Gerente sênior de Planejamento e Recursos Minerais da Mineração Paragominas.
